quinta-feira, 9 de março de 2017

Alien Soldier



Run and gun da Treasure de 1995, atualizando a roubalheira de Gunstar Heroes, recebeu lançamento nos tempos finais do Megadrive. Sua distribuição em cartucho saiu no Japão, Austrália e Europa no final da vida do sistema. Nos EUA foi distribuído pelo serviço Sega Channel. Por essa falta de marketing na América, tempo tardio e certa ojeriza pelo 2D na época, Alien Soldier ganhou valor tardiamente, hoje paparicado pela extravagância na manipulação dos recursos do Mega ao mesmo tempo que poucos são ousados o suficiente para terminá-lo devido a alta dificuldade existente.


-FOR MEGADRIVERS CUSTOM- [É o que tá na tela...]


É praticamente um boss rush mode, as fases são reduzidas a ponto de parecerem meras divisórias entre os chefes. O jogo se sustenta por essa proposta heartcore-oldskull-megadoriverosugodu enaltecendo a dificuldade, por conta disso uma fração dos críticos malhou a postura ladra que eu vou entrar em detalhes daqui a pouco. Esse jogo saiu na coletânea para PS2, chamada Sega Ages 2500, contendo Dynamite Headdy  e Gunstar. Tempos depois relançam pro Virtual Console do Wii  e ainda temos ele disponível na Steam pra quem tiver mesura na hora de rodá-lo via emulador.

O projeto de desenvolvimento foi liderado por Hideyuki Suganami que quis inicialmente fazer o jogo inteiro quase por conta própria. No lugar de programar a parada logo num sistema 32 bits, preferiu extrair o máximo do MD. Ele investiu verba e tempo querendo algo megalomaníaco fazendo uma trama cabulosa. Devido ao tempo estourado teve que cortar coisa a beça e ainda nego teve que dar suporte pra concluir o titulo. Suganami saiu inconformado com o resultado saído, pois apresenta certa feição de coisa beta.

Algumas versões ocidentais do cartucho em formato PAL foram ajustadas na frequência rodando o jogo um pouco mais rápido, por conta disso ele se tornou mais insuportável com direito a bugs ocasionais. Alguns eu não sei se foi por causa da minha rom, tipo os gráficos bugando na luta contra as formas finais do chefe número 20, quando o personagem não ficava preso na parte inferior da tela na fase de asteroides... Vai saber porque, removeram em algumas tiragens a frase exclamativa insuflada na tela de start:  "VISUALSHOCK! SPEEDSHOCK! SOUNDSHOCK! NOW IS THE TIME TO THE 68000 HEART ON FIRE!"


A história é gigantesca, e pelo tempo estourado somado a falta de meios para continuar a trama, simplesmente explicam ela num calhamaço textual durando uns 5 minutos nessa brincadeira. O texto além de estar engrish, é cheio de termos próprios. Como diria o Zé do Caixão, basicamientee... Narra uma guerra entre uns mutantes contra seus criadores no planeta Sierra no distante ano de 2015. O personagem principal se chama Epsilon Eagle, ele é líder de um grupo terrorista denominado Scarlet. Num atentado, Epsilon é ferido e nisso é sucedido por XI-Tiger, uma criatura mais beligerante. Acontece uma zebra entre Tiger e Eagle (fora o seu alter ego maligno) que culmina numa matança desenfreada que Eagle fará contra seus antigos colegas monstrengos.

Alien Soldier espanta muita gente pelo sistema um pouco complicado para se acostumar, afinal, ele expande as possibilidades de Gunstar exigindo maior habilidade dos jogadores. Eu morri uma parrada de vezes ainda nos primeiros chefes, levei cerca de um mês para acostumar e zerar. Uma vez o choque dominado você terá grandes chances de pensar sobre o jogo ser um dos melhores sidescrollers  desenvolvidos.

Apesar dos nomes estridentes, você tem duas dificuldades, a normal (citada como difícil) e a  fácil (longe de facilitar a partida). Eu optei pela comum, pois nesse tipo de jogo, é comum não termos o jogo completo. Antes de começar, terá uma tela pra testar todos os comandos, além de selecionar 4 entre 6 tipos de armas (podendo repeti-las). É possível configurar  a interface gráfica do teu HP, munição e a vida do teu inimigo.



A escolhe arma. B atira. B duas vezes rapidamente cria uma barreira de rapidíssima duração, ela converte tiros em energia que vira life (no auge da vitalidade ele pode mandar um especial). C é o pulo, quando pressionado duas vezes, Epsilon Eagle fica no ar flutuando, podendo mandar outro pulo (é possível também andar no teto). ↓ + C ele faz um dash que desvia de tudo e saber usá-lo é tão vital quanto a barreira que converte os tiros. O especial desfere um dash de fogo quando o hp está no auge, em troca tira parte dele que precisa ser  novamente preenchido, pode arrancar metade da vida dos chefes. ↓+A muda o estilo de ataque, se a mira ficará travada ou se o personagem poderá se movimentar enquanto atira, a cor da armadura indicará isso. Você encontra munições que reforçam a tua arma e expandem o tiro, mas morrendo perde o excedente da barra de munição, as vezes cata também um item que recupera o hp todo. Esses detalhes deixam o jogo menos sufocante.


São 25 chefes, porém um deles homenageia o chefe Green de Gunstar, usuário da seven force, um robô transmorfo,  apresentando barras individuais de HP, que pelo pingo de noção deixam 5 máquinas no total. Ah, não vamos nos esquecer dos inimigos irritantes e subchefes marrentos, úteis para acumular energia vital. As armas são bem sucatonas, só curto a Lancer pelo alto poder danoso pecando no gasto rápido e a Ranger para alguns chefes estratégicos, tipo a aranha. Elas gastam rapidamente, precisa trocá-las em tempo real enquanto demoram para a recarga, essa será uma das coisas a serem superadas no jogo. Caso esgotem, pode usar uma fagulha mínima no alcance e dano, fora a barreira apertando B duas vezes.


O jogo possui algumas coisas irritantes, a tela espremida, evitar topar com os inimigos, esperar o Ready Fight! para ser possível causar dano. Apertar várias vezes o botão de salto ao cair nos fossos para não perder energia por último alguns chefes irritantes demais. Alguns cobram muitas tentativas para entender seus ponto fracos e o jeito certo de desviar dos seus ataques. A aranha precisa matar todas as suas crias assim que a plataforma estiver para afundar no fosso, ou  o camarão cobrando que o personagem fique nos cantos do barco para não tomar um ataque frontal. Você só possui alguns continues, soa exaustivo pensar em recomeçar tudo de novo por uma simples bobagem nos cálculos.

O conceito e estética são audaciosos; cut scenes detalhadas; a equipe abusou do andamento frenético para gerar ilusões visuais que mascaram as limitações do hardware do MD, aproveitando isso para criar novas cores, texturas pra não dizer algumas implementações pseudo 3D, como as asas de uma mariposa gigante, a rede da aranha no fundo e assim vai. Os estágio sempre apresentam algum fuzuê, uma hora você invade uma estação, noutra fica num trem, pra não dizer um momento que você fica de cabeça pra baixo enquanto mata um inseto gigante. Sem contar que cada luta carrega uma aura muito épica, nunca será algo monótono. Os chefes sempre farão alguma coisa que te faça prestar atenção. Parabéns pro Hideyuki Suganami aka Yiya! Choco Monkey DX e seus empregados que devem ter programado enquanto o sujeito apontava uma arma.


Tem uns lances que talvez a Capcom tenha surrupiado nas sequências 32 bits do Mega Man X:

-O aviso de warning antes do chefe.
-O poder devastador do dash aéreo da armadura ultimate.
-A barra gigante dos chefes no X5.
-O final da base espacial explodindo lembram o final de X4.
-A misancene na aparição dos mestres.


Vale citar os efeitos sonoros incluso algumas vozes digitalizadas. As músicas embora a negada diga ser meh, eu achei frenética além de única. Intercala composições que lembram os trampos do Vangelis, cacofonias, o remake do tema seven force, umas salsas lembrando Sonic e até uns sons espaciais vagamente nos lembrando o maluquete Sun Ra. Norio Hanzawa se encarregou de muitos trabalhos na Treasure neste ele conseguiu superar o som ágil encontrado em Gunstar. Confiram só essa música!


Isso mostra que as empresas podem sim ficar um tempo maior explorando os recursos ou manter certa validade na fabricação de jogos esporádicos em plataformas passadas. Mas a sede de grana impede isso. No lugar de termos jogos cabulosos num sistema simples, temos jogos fracos nas primeiras levas das novas máquinas que poderiam ter ficado no hardware antecessor.

Também vou deixar um comunicado: A Nação Cucamonga e FontEremita juntaram forças pra transmitir gameplays na Twitch.TV, este jogo por exemplo foi zerado lá [confiram a partida aqui] pra não ficar dúvida de que não jogamos.



sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Mestres do Universo, 1987 - Gary Goddard



Mestres do Universo é o primeiro e único filme com atores para promover a febre que era o He-Man na saudosa gringolândia americana e em qualquer outro lugar do planeta que adorasse o projeto de Conan oxigenado lutando contra um anabolizado com cara de esqueleto e seus mutantes malucos. Mas para a alegria de todos, essa foi uma cria da grandiosa Cannon Films, esse estúdio abençoado que nos deu alguns dos melhores filmes já feitos com orçamentos baixinhos, baixinhos.


Bem, sendo sincero, o filme é mais uma bosta adaptada para atores reais, na mesma veia que as Tartarugas Ninjas e o pior de todos: Super Mario Bros – O Filme. Não sei o que passa na cabeça dos figurões tanto da franquia, quanto do estúdio, quanto do staff do filme para adaptar desenhos e jogos aos atores reais, sendo que sempre termina em uma história totalmente retalhada do original e é necessário limitar demais os personagens e suas habilidades devido ao contraste real e os efeitos que não conseguiriam reproduzir fielmente os mesmos desenhos/jogos. Mesmo hoje quando os recursos são mais diversos na parte técnica da coisa, o diretor sempre precisa reescrever a história a um nível retardado para alcançar todas as classes em vez do nicho em específico, já que o foco hoje em dia é arrancar dinheiro de tudo quanto é gente possível se quer saldar os gastos e lucrar uma boa grana, sem falar no limite de tempo.


Para a história dessa bagaça, temos o Esqueleto e a Maligna que finalmente invadem o Castelo de Gueiquiscul e prendem a Feiticeira, que no filme é uma velha, em um campo de força mágico. Através de um equipamento mágico dimensional construído por Gwildor, um anãozinho mistura de Yoda com Fofão, Esqueleto conseguiu finalmente penetrar entrar no castelo e usar uma porta gigantona chamada Grande Olho da Galáxia para sugar o poder do universo e dominar Eternia. Mas como todos esses planos apocalípticos tem um mecanismo de funcionamento, ele precisa da espada de He-Man no momento que a lua está no alinhamento correto (nunca se cansam de usar esses ganchos mandinguentos).


Enquanto isso He-Man, Teela e Mentor detonam uns capangas do Esqueleto e salvam o anãozinho que revela ter outro mecanismo igual ao que lhe foi roubado, então invadem o castelo, tendo um pequeno arranca-rabo e fugindo pelo portal feito pela maquininha, parando em uma dimensão totalmente diferente. Para quem pensou em Terra, acertou! Enquanto o quarteto saído de uma edição de Weird Tales se encontram temerosos com uma vaca e roubando frangos fritos de drive-thrus, a bugiganga cai em um cemitério aonde um casal de formandos encontra o bagulho no meio de uma cratera e pensam que é um amplificador de som japonês (essa juventude americana de filmes são uns verdadeiros paspalhos, difícil ver um que se salva).


Esqueleto se cagando de medo, manda grampear o aparelho no caso de algum xereta brincar com aquilo, sabendo aonde poderia mandar seus capangas para destruí-lo e detonar o grupinho de He-Man. Daí o grupinho encontra a garota sonsa, o moleque tonto pede ajuda para um detetive casca-grossa que mais atrapalha do que ajuda (sempre tem um personagem assim), rola um tiroteio dentro de uma loja de música e a garota sonsa, achando que sua mãe que morreu em acidente de avião, mas estava ali pedindo a geringonça, era boazinha, entrega de bandeja o aparelho para a Maligna, mesmo com toda aquela bagunça acontecendo na hora. Vão atrás do aparelho, Esqueleto captura He-Man, tentam consertar o aparelho que Esqueleto quebrou, o policial chatão acaba se metendo e parte da vizinhança é transportada para o Castelo para salvar He-Man, aonde Esqueleto se tornou um deus, mas sua cachola continua de um palerma para mandar os capangas inúteis. Os dois lutam perto de um abismo e Esqueleto cai nele, Eternia está salva, o policial decide ficar para catar as ninfetas loiras de Greyskull e o casalzinho volta para o mundo real em um final feliz com He-Man dizendo sua famosa frase.


Para o orçamento baixo que tinham, as fantasias e os efeitos especiais ficaram bem feitos, o que realmente estraga o filme é o enredo e principalmente o enredo ser o típico lenga lenga dos seres mágicos/tecnológicos pararem no mundo real e interagirem com o pessoal daqui, no geral são mocorongos que quase botam tudo a perder. Os únicos nomes fortes do elenco são o de Dolph Lundgren de He-Man (talvez com inveja do Schwazenegger ter feito Conan e posto aquela sunginha de Manowar) e o Frank Langella, vulgo Don Diego de la Veja, fazendo o papel do Esqueleto. Tem a Courteney Cox fazendo o papel da moleca, mas naquele ano de 1987 ela ainda era um peixe pequeno que ninguém sabia quem era, só tendo a luz dos holofotes sobre ela quando Friends nasceu nos anos 90.

É um filme de padrão bem tosco, pelo menos tentaram caprichar o máximo possível com o que tinham. Mas continua sendo produto para enganar conquistar os pivetinhos com mais merchandising descarado.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

The Street Fighter, 1974 - Shigehiro Ozawa




Tava faltando filme de porrada na Nação Cucamonga, por causa disso trago de uma vez um dos principais expoentes do gênero! Este é estrelado por ninguém menos que Sonny Chiba, o Bruce Lee japonês sangue nos olhos, mais lembrado como o velhote Hatori Hanzo de Kill Bill. É nesse mero papel que o mundo relegou o cara. Na sua terra natal, Shin'ichi Chiba colecionava popularidade nos diversos esportes que fazia quando resolveu praticar artes marciais com ninguém menos que o mestre carateca Masutatsu "Mas" Oyama, conhecido pelos feitos fora do comum tipo enfrentar touros à unha. Muitos questionam a veracidade desses intentos mas a popularidade do sujeito rendeu uma trilogia de filmes estrelada pelo próprio Chiba e o anime Karate Baka Ichidai uma das fontes bebidas pela Capcom para formular a série Street Fighter (o nome do review desta resenha já deve entregar um pouco isso).

Shin'ichi acaba descoberto pela Toei participando de estilos de produção variados. Por jogada de marketing muda seu nome também para Sonny e quando apresentava certa consolidação nos estúdios, ele pega a onda dos filmes de luta popularizados por Bruce Lee. The Bodyguard prenunciava elementos melhor desenvolvidos aqui em Street Fighter, na minha opinião o ápice do ator. As lutas em The Bodyguard eram gore e diferente da maioria dos filmes de artes marciais que evitam o uso de armas de fogo, Sonny enfrentava a tudo e a todos desferindo cruéis finalizações.


Sonny Chiba interpreta Takuma Terry Tsurugi, um mercenário que logo no começo do filme se infiltra numa prisão se passando por monge budista para dar benção ao condenado carateca Junjo, sentenciado a morte por ter matado pessoas na base dos punhos. Tsurugi então revela-se e ambos já mostram que o filme não tá pra brincadeira fazendo um combate onde Junjo sai derrotado. A polícia acaba levando Junjo as pressas para o hospital, mas Terry e seu parceiro trapalhão sequestram a ambulância. O golpe "fatal" que o mercenário dera, apenas o atordoaria temporariamente.

No próximo segmento observamos o quão filho da puta é o personagem e isso é um achado se levar em conta que os realizadores desse tipo de filme tentam sempre vitimizar os mocinhos. Bem... A contratação foi feita pelos irmão do carateca, que por tentarem passar a manta em Terry alegando não terem o restante da grana. Isso emputece Terry lhe fazendo espancar os dois malandros. Pior, um dos contrantes erra um chute e acaba caindo pela janela. Terry não satisfeito leva a outra caloteira para a zona em razão da falta de honra no pagamento. Esse pequeno plot renderá ações futuras...

Na segunda parte um sindicato criminoso tenta contratá-lo para raptar Sarai, herdeira de um falecido ricaço do petróleo. Como Tsurugi cobra muito dinheiro, o sindicato tenta intimidá-lo, mas Chiba mostra quem é que manda e muda de lado. Ele então vai procurar a garota que vive com seu tio um mestre de caratê chamado Kendo Masaoka. Tsurugi pra testar suas habilidades enfrenta vários lutadores do dojo até duelar contra o próprio Masaoka. A luta é muito boa e rende uma divertida tensão mostrando o flashback de Terry ainda criança vendo seu pai executado sob alegação de espionagem na segunda guerra. Chiba então concentra o seu fôlego e finaliza a luta. Masaoka conta que conhecia o pai de Tsurugi que ambicionava criar uma arte marcial sino-japonesa.

Agora o protagonista precisa proteger Sarai do sindicato antagonista misturando yakuzas e mafiosos chineses de roupas típicas. Junjo também entra pra desforra tentando vingar a desonra acometida aos seus irmãos. Daí em diante é uma sequência de lutas, contra lutadores de mãos limpas, gente usando arma branca, arma de fogo e até armadilhas para tirá-lo da jogada.


Esse filme é mais do que indicado, temos um personagem principal sem escrúpulos, possuindo um jeito de lutar que no mínimo faz o adversário cuspir os dentes da boca. Temos sangue, mulher sendo tratada sem frico frico, uma trilha sonora que mantém o ânimo em assistir, fora as caras e bocas mais exageradas que as de Bruce Lee. Chegaram logo em seguida umas duas sequências mais contidas e sem tenta graça. Os filmes posteriores ficaram um tanto enrolões. Este é mais dinâmico. Nem tenho coragem de falar do spinoff  televisivo com a "irmã do street fighter". O filme tá logo abaixo e legendado, relacionado a ele tem as sequências pra quem tiver curiosidade. Selo Cucamonga!

Filme completo:


sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Blue Öyster Cult - Secret Treaties - 1974



Como ninguém fala dessa excelente banda, mesmo os intitulados "críticos rockers", geralmente uns tiozões colecionadores de vinil que preferem groselhas costumeiras, faço o meu papel trazendo o desconhecido. Ainda no começo dos anos 70 quando o heavy metal gradativamente ganhava a sua definição que viria a ser concluída na década seguinte, tivemos um grupo americano de Long Island muito criativo que equilibrava a atmosfera da literatura de terror com a fúria do hard rock, o Blue Öyster Cult (ela até foi a pioneira no uso do trema).

Tinham um público fiel e uma roda crítica entusiasmada com a carreira da banda. Por outro lado, mesmo possuindo alta qualidade nas suas músicas, a popularidade dela era pequena, seus primeiros dois discos foram fracos em termos de vendas, somente neste terceiro é que traria o primeiro grande índice de popularidade, talvez seguido por Agents of Fortune e o seu trabalho mais pop Fire of Unknown Origin (suas músicas tocam na animação de 81 da revista Heavy Metal).

Os dois primeiros álbuns apesar de ótimos ainda estampavam certa indefinição, como se o BÖC tentasse encontrar a sua identidade, e no terceiro trabalho finalmente alcançam a fórmula desejada. Secret of Treaties consegue ser mais pesado e agressivo sem perder a essência sombria cheia de texturas apresentando certa conexão entre as faixas.

Temos Eric Bloon e Buck Dharma com suas guitarras super distorcidas dando peso a música e atacando com solos marcantes. Isso tudo não seria o mesmo sem a condução dos demais componentes que preparam esses momentos mais revoltos pelas diversas manifestações de timbre que o teclado de Allen Lenier garante, ou a habilidade dos irmãos Bouchard apresentando uma bateria sempre em destaque com seus pratos cristalinos e um baixo perceptível em todo o disco. As letras tiveram a contribuição da "poeta punk" Patti Smith (namorada do tecladista na época) e do produtor Sandy Pearlman que chegou a fazer discos pro The Clash e The Dictators (também escrevia poemas).

Career of Evil estreia com um órgão estridente cheio de groove e o peso da guitarra confeccionando uma melodia malvada, onde a letra não esconde as pretensões maléficas do personagem ao mesmo tempo soa algo descontraído, por alguma razão, Buck Dharma não canta neste álbum. Subhuman engata logo em seguida num ar mais tranquilo e sobrenatural ganhando força pra segunda metade. Uma estranha letra de um homem ferido que parece ser um fugitivo do holocausto que perde seus amigos e passa a ter visões estranhas sobre os "meninos ostra", seriam representados na capa do Fire of Unknown Origin? Dominance and Submission é o estranho relato da infância de um cara que foi levado de carro após ir a uma festa e presencia uma possível putaria entre os passageiros, suscetíveis ao impacto da invasão britânica trazida nas estações de rádio, expandindo os limites do rock pela Beatlemania.

ME-262, é o nome do primeiro caça alemão e que aparece na capa do disco, motivo para gerar burburinho na época, permitindo uma exposição a mais no mainstream. É um rock n' roll clássico com um pouco mais de peso e conta de maneira humorada como o "tio Adolfo" faria famoso o aviador que testasse essa arma aérea, temos até samples de bombardeios e sirenes. Havester of Eyes recobra o climão pesado ainda mantendo a formulinha típica do rock n'roll. Descreve o olhar penetrante de alguém que consegue ler as pessoas pelos olhos, talvez leve para uma interpretação mais sobrenatural ou o poder que um indivíduo possa ter quando domina esta arte de controle. Flaming Telepaths, traz ares mais introspectivos, o piano e o sintetizador ganham aparição com a letra, possivelmente fala sobre a heroína. Astronomy encerra o disco de maneira tranquila, deixando o piano guiar a ultima faixa. Parece que algum ritual esotérico tomou grandes proporções e fica a dúvida sobre o que sucedeu.

E este é Secret Treaties, pra muitos o apogeu do BÖC, na minha opinião o grande marco para trilharem os trabalhos posteriores. Faixas pesadas mostrando esmero a mais para apresentar o rock, equilibrando bem as tensões. Usam detalhes complexos mas sem os afetamentos de um grupo progressivo. Letras divertidas de compreender, inclusive agradeço ao serviço secreto cucamongo pela ajuda em alguns detalhes intrínsecos nas letras. Talvez esta seja uma das bandas mais injustiçadas do rock, não tem um disco que tu ache uma bomba, soa apenas inferior a outras coisas da discografia. Ouçam tudo na íntegra:



quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Manilla Road - Crystal Logic - 1983



O disco de hoje é sobre um trio originário do Kansas, EUA, o Tocantins americano. Eles seriam influenciados pelo que é classificado como a segunda onda britânica do heavy metal abreviada para NWOBHM. Temos o guitarrista e front leader Mark Shelton, o baixista Scott Park e o baterista Rick Fisher, todos antigos colegas de escola que dividiam um apê. O nome surgiu quando todos assistiam bêbados a tevê e tentavam pensar em algo legal, dentre todos, "Manilla Road" acabou grudando na mente. Tanto os integrantes quanto o pessoal em seu entorno deram a maior força para fazerem shows bem recebidos nos bares, rádios e ajudaram na divulgação das demos. O Manilla tinha o seu próprio selo independente, o Roadster Records. Por ele lançaram alguns discos, incluso o disco da resenha, marco da banda para muitos e um material que seria relançado nos anos 2000.

Crystal Logic carregaria os cânones de seus contemporâneos musicais. Enquanto os trabalhos anteriores eram mais artesanais e mostrava a indefinição que muitas bandas do estilo tinham antes de caírem pra sonoridade característica da primeira metade dos anos 80,  o terceiro disco é mais pesado, rápido, enfatiza solos costumeiros em maior ou menor ocorrência numa mesma música, fora a bateria sempre pulsante e o baixo reforçando o peso da música sem muita evidência.

Shelton era fissurado nas obras literárias de Arthur Conan Doyle, HP Lovecraft, Robert E. Howard além de outros. Isso acabou influenciando nas letras responsáveis por catalogá-los como Epic Metal, um possível escapismo de um estado sem tanta agitação em comparação aos outros mais glamorizados. Hoje vários artistas buscam se configurar num tema da história antiga já nos níveis finais da farofização. A farofa do Manilla pelo menos agradaria as entidades de um trabalho de macumba que hoje sofrem com a qualidade industrializada barata. Enfim, voltando ao assunto principal...


As melhores do disco seriam Necropolis conduzida boa parte do tempo por acordes potentes confiando no lirismo da canção terminada por um solo que carimba a composição. Flaming Metal System já metralha um solo frenético ressaltando as habilidades de Shelton na guitarra. Ao longo da canção, a guitarra acaba assaltando diversos pontos da cantoria passando a vez pro instrumento. Esta música se encontra também na coletânea US Metal Volume 3.

Crystal Logic que nomeia o álbum começa com o típico riff de rock n' roll distorcido além de rápido casando com as típicas progressões do metal, daí em diante o som fica mais arrastado até recobrar o fraseado tema. Aqui o vocalista tenta trabalhar mais variantes da sua voz anasalada que pode incomodar alguns, porém evita grandes estripulias galhofentas. The Riddle Master, é mais lenta, bastante poser, criando um ar de intimidação vez ou outra atingida por algum solo na guitarra, bem no final ela começa a atingir velocidade.  The Veils Of Negative Existence parte pra uma estética mais macabra onde o personagem da letra tenta provar para si sua determinação para resistir contra o mal.

Crystal Logic desenvolveu o caminho a ser seguido nos álbuns seguintes (bons também). Após esse disco, o baterista Rick Fisher é substituído por Randy Foxe mais orientado ao estilo trash. Mesmo com a proposta fantasiosa dos livros de capa e espada, o peso, a enfase em incluir um solo acrobático por menor que ele seja, a voz natural e a edição de garagem fazem o Manilla Road, uma ótima opção para quem for buscar um disco trazendo os conceitos comuns desta época. Vou deixar o trabalho completo aí embaixo, quem não quiser escutar que vá ouvir então algum xarope de agora.


domingo, 1 de janeiro de 2017

Especial Bandai Terebikko



Enquanto jogo uns troços pra depois comentar aqui as minhas conclusões,  apresento o especial de um aparelho pro público muito jovem, bastante furreca chamado Terebikko, seu designo era atacar a carteira dos assalariados japas pra jogá-lo no lixo semanas depois da compra. A Bandai adora desovar umas plataformas (brinquedo de rico) escrotonas, nem o portátil Wonderswan nas suas duas gerações prestou. Nem pra arma de arremesso! 

Não encontrei meios para emular, sendo assim pesquisei sobre essa sucata e assisti as animações interativas criadas para o seu catálogo que dá no mesmo, pois você apenas escolhe opções ridículas. O Terebikko era uma espécie de telefone infantil contendo 4 teclas. Por ser de 92, sua mídia era fita cassete e para instalá-lo tinha que ter o aparelho de VHS compatível com a entrada solicitada. O Terebikko ainda exigia ajuste de tela e dos canais de áudio usados para emputecer o pai do fedelho que comprou para ele no natal. Se o Playdia já era uma bomba com sua mídia óptica e  modesta quantidade de jogos, este aqui creio eu que se limitam a quatro fitas cada uma não excedendo 30 minutos. 

O formato dos jogos agradaria muitíssimo o pessoal de agora. Basicamente filmes em que você deve escolher 4 opções ou menos, que variam de questionários sobre a série jogada ou então desafios ínfimos sobre qual das opções apresentam mais coisas exibidas no cenário. Eles estão léguas de distância da memorização e velocidade cobradas num Dragon's Lair por exemplo. 


Super Mario World: Mario to Yoshi no Bōken Land


É como se fosse uma versão animada do jogo Super Mario World, ambos na terra dos dinossauros, apresentam inimigos e trilha sonora iguais. Se concentra em desafiar o usuário sobre qual opção possui mais moedas, ou qual tipo de inimigos apresentaram maior quantidade na cena, mas nada desafiador. É interessante para enxergar como os idealizadores imaginavam o design de SMW, pois algumas coisas do jogo original talvez tenham ficado abstratas demais. As vozes é que são um pouco estranhas tipo o magrelo Iggy Koopa ter uma voz grave, ou o Luigi desmunhecar de vez. 



Dragon Ball Z: Unite! Gokou's World


Não seria a última vez que a série ganharia um episódio insólito num aparelho tosco. Contudo, "O Plano para Destruir os Sayajins" do Playdia, foi melhor aproveitado que esta merda. Temos um quiz pobretão da fase inicial de Dragon Ball até uma batalha incoerente contra o Cell, onde é necessário descobrir às cegas qual deles não é ilusão. Alguns imbecis ficam discutindo sobre Trunks ter usado a máquina do tempo por causa das novas regras expandidas da bosta Dragon Ball Super que o autor só permitiu para sacanear os fãs irritantes e para ter um dinheiro extra da forma mais joselita possível. 



Os outros dois restantes são mais dispensáveis. Temos Anpanman, típico mascote jurássico criado nos anos 60 por Takashi Yanase. Já estreou em outro aparelho focado na pimpolhada, o Sega Pico. Encontrei somente comerciais e não entregam muito no que é focado, talvez opções sobre o Anpanman deve fazer corretamente. Pra fechar temos um jogo da série Sailor Moon. Este aqui é outro resumido a perguntar coisas sobre as personagens, tipo hobbies, poderes, armas que nem Dragon Ball.



É engraçado notar a subserviência de franquias respeitadas para divulgar um lixo desses. No caso de Mario e Anpanman até torna mais coerente do que os guerreiros Z levando a sério um aparelho telefônico, é a forma mais escancarada do consumismo. Até as músicas tocadas no momento de teclar a opção certa rende riso. Engraçado é que um programa descartável desse consegue  ser melhor animado do que as animações de agora... O Japão virou uma lata de lixo sem jeito de melhorar. Era melhor quando todos escravizavam a galera pra desenhar as paradas. Não que os estúdios citados façam isso, mas cai no lance das fábricas de calçados. Enfim... Unicamente para registro. Fica no artigo os vídeos...






quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Shiwase Usagi (Pentalogia)


 O PC Engine CD atraía consumidores cuspindo na tela animações cabulosas, trilhas sonoras com instrumentos originais sem precisar sintetizá-las no chip, incluindo diálogos na íntegra. Em contrapartida, isso era um poderoso chamariz para reapresentar boa parte dos jogos que eram simples demais ou arcaicos para o período (a primeira geração de rpgs e seus derivados, fliperamas b, não esquecendo os adventures de tela). Para a minha surpresa, duas empresas chamadas Rabbit Soft Kenkyūsho e Office Asia Kenkyūsho, publicaram cinco jogos pornôs em nome da desenvolvedora B-Project, explorando significantemente os recursos do aparelho num período entre 95 à 97, fim de carreira do sistema NEC, com fortes suspeitas de serem bootlegs

A Office Asia vendeu Shiwase Usagi 1 e 2. Os dois jogos eram mais pobretões, escancaravam mais a origem amadora. Ambos mostravam um menu com a opção de tocar, olhar, beijar e a última transcorrendo para a cena seguinte quando todas fossem usadas. Não influenciava em nada escolher ou deixar de escolher as opções uma segunda vez, são meras novelas visuais. As cenas são estáticas, deixaram a boceta das moças pixeladas, as picas invisíveis, parecendo que elas estão sendo comidas por um fantasma. Os caras que metem a vara nelas mantém-se nas sombras até na hora de beijá-las na boca. Eu não sei se isso foi um recurso para gerar  a sensação do jogador se sentir na pele do personagem ao mesmo tempo que censuram o explícito. 


Segundo a Moby Game, o primeiro conta sobre um vagal do segundo grau chamado Takita Hiroki, ele aproveita a ausência dos pais, chamando a sua namorada para uma trepada. O 2 de subtítulo "Sailor Z" é o mais perturbador. Assumimos o papel de um estuprador (sempre nas sombras) que sequestra uma jaçanã e come ela de todo o jeito, o final é a garota com a venda tirada de olhos semicerrados. Os programadores se empenharam em por uma trilha sonora acima da média para o padrão chegando ao ponto de incluírem vozes digitalizadas das garotas gemendo, dizendo frases curtas, ofegando, chupando... Na tela inicial fica disponível uma paródia hentai tenebrosa da Sailor Moon, mudam apenas as cores das personagens, tem até tentarape


Shinsetsu Shiawase Usagi foi dispersado pela Rabbit Soft num total de três aventuras. Nota-se um empenho maior nas animações e a inclusão de finais diferentes, o término ruim, comum e o ótimo. Os dois primeiros exploram a relação de duas colegiais, a de cabelo rosa chama-se Mary e a moderninha perva  de cabelo verde tem o nome de Yuki. Mary tropeça nas escadas da escola, sendo levada por Yuki até a enfermaria deixando Mary apenas de calcinha. Ali a putaria rola solta. No meio da briga entre aranhas aparece um cara misterioso que entra pra festa. Aqui a história desdobra-se por certas escolhas importantes no final. 


O final ruim por exemplo seria a Yuki dando pro cara no lugar de pedir pra Mary uma menáge. O término comum seria o cara comendo Mary muito rápido, e o happy end com o trio esticando mais o sexo. Basta marcar as últimas opções pra chegar no melhor final. O segundo talvez seja o ápice. Yuki vira assistente da professora e convida Mary para o seu apartamento estando ali também o mesmo cara misterioso. Yuki se concentra de vez no sadomasoquismo. Desta vez o objetivo é alcançar o orgasmo máximo de Mary, usando na ordem certa os "brinquedos". Podemos escolher o chicote, vela, vibrador e um pincel. 


Por fim,Shinsetsu Shiawase Usagi F: Yūjō yori mo Aiyoku o último jogo plagiando os personagens de Evangelion na cara dura. Mudam apenas as suas cores, até os nomes permanecem iguais. Saiu um ano após o clássico que tornou os animes coisa de emo. A versão pornô pelo menos deu dignidade a uma franquia tão tosca. Shinji virou um quarentão decadente feito o seu pai, morando num quitinete. Depois de bronhar pra um filme pornô, o cara pensa se vai ligar pra uma puta ou trepar com a Misato ou Asuka. Asuka pinta no cafofo dele e dá pra ele de todo o jeito, enquanto Misato seria sua amante. O jogo aqui é mais punitivo, quer dizer, pro roteiro. É fácil tirar o final regular ou feliz com a Asuka, já com a Misato, o desdobramento é maior. Asuka no jogo mata passionalmente Shinji, em N circunstâncias, mesmo numa hora em que Misato convida Asuka para um sexo à três.  



Foi uma surpresa achar cinco jogos de sexo selvagem para um sistema de videogame (a censura é maior), em boa qualidade e sem aqueles labirintos textuais muitas vezes brecando a possibilidade de ver o "momento finale". O jogo é direto ao ponto, na pior das hipóteses, assiste a menos coisas ofertadas nas surubas. Uma trilha que atravessa o pop sintetizado dignos do catálogo cine privê, blues, hard rock e bossa nova. Não é aconselhado para menores, nem pessoas comuns, é degenerado demais. Os jogos foram avaliados unicamente para analisar a mente sórdida de boa parte dos japoneses confirmando a teoria de receberem influência de entidades hiperdimensionais que abusam de seus cérebros por tentáculos místicos, incentivando a degradação humana. Selo Kinjite, Desejos Proibidos!


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