segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Sasso Shonen Eiyuden Coca-Cola Kid




Tiveram uns jogos de Game Gear onde preferi não revisar na época porque já tava de saco cheio da maratona maluca auto imposta pela jogateca do portátil. Seria negligência não falar de Coca-Cola Kid, um dos melhores jogos lançados pra este portátil. Tinha tudo para dar errado devido ao seu propósito central de promover o refrigerante, contudo, quando temos uma equipe disposta a fazer um trabalho decente ele acaba memorável independente da proposta. 

O Game Gear em diversas situações parecia copia carbono do existente no Master System, portando alguns outros jogos multiplataformas comprometidos pela falta de tato das desenvolvedoras na hora de superarem as limitações do tijolão alegado "portátil". Essa é apenas uma ideia superficial da coisa, o GG abriga uns jogos bem divertidos, caso aplicado ao Coca-Cola Kid

Idos anos 80 e 90 havia uma espécie de guerra fria entre Coca-Cola e Pepsi, ambas investindo horrores em filmes, propagandas super produzidas quando não jogos eletrônicos. Era engraçado observar certos países permitindo apenas o logotipo da Pepsi devido a representatividade "imperialista"  da Coca-Cola, enquanto ela deslanchava quase soberana em outras nações. 


No caso de Coca-Cola Kid, a empresa encomendou com a Sega um videogame a ponto de sair uma edição especial vermelha do portátil contendo a marca e mais o cartucho saído em agosto de 1994. Nada tem a ver com o filme homônimo de 85, onde a trama era sobre um yuppie tentar promover a Coca-Cola na Austrália entrando numa disputa contra um vendedor local de tubaína. Era um filme pipoca & guaraná Coca-Cola com direito a Greta Scacchi em nu frontal tomando banho pro pessoal moralista atual ficar com cara de cu. O Coca-Cola Kid do Game Gear é bem regional, havendo porradaria, guerreiros e arquétipos típicos do Japão, talvez por isso tenha sido localizado apenas por lá. 

Boa parte do serviço foi feita pela Aspect, estúdio incumbido de adaptar games no GG, mesmo hoje ela atua na indústria, sem falar na passagem de seus empregados por outros jogos importantes (pelo menos dignos de serem jogados tipo Metal Gear Solid 3: Subsistence). Quem produziu C-CK foi Katsuhiro Hasegawa - o mesmo dos Code Veronicas, diretor de Guardian Heroes, Sylvan Tale e atuante no Dark Wizard.


Na parte de design e arte temos: Gráficos de Hisato Fukumoto (Virtua Cop, Sonic chaos, Defenders of Oasis) e de Gen Adachi (Golden Axe Warrior, Sonic chaos, Defenders of Oasis). O programador Kazuyuki Oikawa (Tails' Adventure, Ax Battler e Road Spirits), também programador de áudio das versões domésticas de Fatal Fury. O visual tanto lembra o da Game Freaks quanto da Treasure. É possível se confundir inicialmente tamanha a similaridade. 

Saori Kobayashi (Panzer Dragoon, Sylvan Tale) criou a parte musical. Ela faz milagres com os recursos cacofônicos do portátil, talvez uma das melhores trilhas no sistema, destaque pro tema da fase Dance muito parecida com o do Green em Gunstar Heroes. Os efeitos sonoros estão acima do normal, fizeram questão de reproduzir o som da Coca-Cola no inicio do jogo. Tive que citar esses nomes por três razões: 01-É raro ter créditos dos realizadores num jogo japonês antigo. 02-Linkar os jogos já revisados no blog e 03 - Mostrar como um simples produto de marketing mobilizou tanta gente no desenvolvimento. 




O jogo é sem papo furado, a instrutora de "Cokey" é raptada por um dos malfeitores infiltrados nos laboratórios da Coca-Cola Company, provavelmente esses putos cheios de ranhetice com o refri mas que comem pizza todo fim de semana em algum laboratório secreto do governo, desses que se cagam com a distorção dos fatos sobre a bebida usar células de embrião morto. 


Cokey bolado em refutar os comentários apresentando uma boa quantidade de informações e alegando que qualquer coisa em excesso pode fazer mal prova isso liberando o excesso de energia descendo porrada na escória espalhada pelas cinco regiões ambientadas no jogo: Centro da cidade, parque, prédio velho da CCC, siderúrgica e danceteria (sempre tem boate nos jogos da Sega).

O jogo funde beat n' up com plataforma. Sem qualquer explicação aparente, o moleque salta, possui chute, concentra energia para mandar uma ombrada poderosa (baixo+ataque) ou energia para expandir o alcance dos pulos. O garoto ainda em dado momento do salto e apertando o ataque amplia a precisão do chute, pode até fazer um carrinho similar ao do Megaman. 


As fases subdividem-se em três partes onde na última parte enfrenta um dos cinco mestres. Nos dois atos, precisa coletar moedas, vidas, energia, discos de ataque e porque não um skate para fazer manobras mais kamikazes. A melhor tática é sair quebrando paredes falsas além de blocos para a coleta de dinheiro, depois disso é bom ficar toda hora carregando energia seja pro ataque ou salto, assim mata os inimigos pregos capazes de liquidá-lo em pouco tempo. 

Os chefes são bem puxados pro estilo nipônico, é punk kickboxer que desfere hadoukens elétricos, lutador de kenjutsu, mago kappa, lanceiro oriental e uma perua dominatrix de leque fazendo aquela típica pose enquanto gargalha HUOHUOHUOHUO. No fim de cada nível pode gastar o dinheiro na expansão do HP, continues ou a compra de um disco de frisbee. Esse lance do pivete brigar de igual pra igual contra os marmanjos enquanto canaliza energia e até detona paredes com as mãos nuas lembrou pacas HunterXHunter, quase um Gon Freecs


Pra não ficar só pagando pau do jogo ele sofre uns problemas possíveis de irritar os mais trolhas, tipo a questão da tela apertada, os ataques súbitos dos inimigos as vezes parecendo um enxame e a fase final chata de tão labiríntica principalmente pelo seu estilo íngreme dificultoso pro controle escorregadio do pivete.   

Este jogo foi muito inusitado, seja pela qualidade encontrada num simples advergame, o sistema a recebê-lo com exclusividade e a equipe que o programou. Me lembra também quando a CCC investia numas promoções distribuindo uns brindes bacanas tipo relógios, ioiôs, geloucos, mini-craques e assim vai, hoje não lança mais porra nenhuma nesse estilo.  

8 comentários:

  1. joguinho interessante, dá até vontade de testar.

    essa versão limitada do game gear vale ouro atualmente.

    a trilha sonora ficou bem legal.

    abç!

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    1. É um bom cartão de visitas pro Game Gear e a trilha é boa.

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  2. Bons tempos de guerra entre as marcas, uma pena que hoje em dia isso praticamente acabou.
    Jogos feitos para promover um produto muitas vezes são muito bons mesmo, como no caso do McDonald's Treasure Land Adventure do Mega.
    Esse da Pepsi teve ótimos profissionais envolvidos na produção, seria quase impossível dar errado.

    Muito bom!

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    1. Inclusive teve um port desse jogo do McDonalds pro GG, muito bom também e um RPG pro GBC bastante caprichado, mas precisa destrinchar as barreiras do idioma japonês.

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  3. Acho que esse é o primeiro jogo do Game Gear que me gera interesse. uashauhsa

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    1. O portátil tem uns jogos bacanas, depois dá uma olhada nos reviews pra ele.

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  4. Boa surpresa Doc. E de fato o Game Gear tinha jogos só dele com o jeito dele, mas... o que chegou pra mim na época foi exatamente essa ideia de "master system pportátil", e foi assim que eu percebi ele nos anos 90. Tive pouco acesso ao portátil e mesmo quem tinha o console, estava longe de ter acesso as maravilhas que tinha em outros países, as coisas "bizarras" mesmo.

    Kkkkkkk eu sei disso, até lembro algo sobre a guerra Pepsi Coca mas essa ideia de pegar uma no lugar da outra da na mesma ^_^ Esse é o jeito capitalista de lutar contra o imperialismo ashusashusshausha

    Mas que belo jogo e mais que timaço por trás dele! Eu adorei. De fato só pelo nome, esse é o tipo de jogo que a gente nem olha, passa batido nas pesquisas de roms. O sistema de golpes e o visual são bem o tipo de jogo que gosto, é claro que vou testar! E eu ainda acho que Tubaína é melhor que Coca, mesmo que muitos pensem o oposto. ^_^

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    1. O engraçado é que o GG passa a impressão de copiar a biblioteca do Master, quando na verdade era que os grupos ocidentais tentando esticar a vida dele na Europa e América pegavam vários jogos do portátil. Ainda temos uns ports de outros sistemas e exclusivos bem divertidos. Por isso resolvi mostrar diversos jogos pra ele no lugar do Master que possui muitas páginas dedicadas.

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