segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Holy Diver



Pensem no jogo de hoje como um híbrido de Megaman com Castlevania adicionando nomes do heavy metal. Ele foi desenvolvido pela Irem (Gunforce, Spelunker e R-Type) estritamente para o Japão, talvez pelo óbvio motivo de envolver marcas de bandas e nomes de artistas. Por causa dessas referências o jogo despertou curiosidade no ocidente, consequentemente a fita de Holy Diver ficou supervalorizada nas rodas colecionadoras.


A historinha boi lambida diz que no 666° do calendário mágico um Belzebu chamado Black Slayer revindicou o mundo de não sei das contas e o rei rubro Ronnie IV deixa seus dois filhos Randy e Zack sob tutela de um lacaio chamado Ozzy. 17 anos depois a Disney vira enxofre, lava e sangue. Ozzy padeceu, assim, Randy parte sozinho pro confronto contra Buraki Surayo. Acho que é essa a história e se não for azar o seu! Agora que ela é contraditória pra caralho ninguém pode negar. Quer dizer que o Ozzy e Dio morrem, Zack não aparece e Randy é o que sobra?


Vamo logo ao que interessa: Vou jogar aqui algumas supostas ideias referenciais do que achei no jogo:


Capa: Ela lembra muito as capas do grupo de hard rock psicodélico Captain Beyond:


Holy Diver: Álbum inaugural e de maior sucesso da carreira solo de Ronnie James Dio xará do tal rei.
King Crimson: Esse aí é o tal título dado a Ronnie, seria do grupo homônimo que fundia rock, jazz partindo pra uma levada progressiva desde os anos 60.
Black Slayer: Pode ser uma fusão dos nomes Black Sabbath + Slayer. 
Randy e Zack: Alusão clara ao Randy Rhoads e Zakk Wylde, dois dos 200 guitarristas que passaram na carreira solo do Ozzy Osbourne.
Blizzard: Essa magia aí deve pagar pau do primeiro disco do Ozzy, Blizzard of Ozz.
Breaker: Um dos discos do grupo alemão Accept.
Overdrive: Efeito de guitarra ou pode ser referente aos canadenses do Bachman-Turner Overdrive.


Voltando: Será que havendo tamanha mística a sua volta, Holy Diver é um bom jogo? A resposta é que ele é bastante frustrante, tinha potencial, mas a má programação estragou a porra toda. A negada chama de dificuldade tomar vários danos em sequências e enfrentar inimigos reaparecendo a cada segundo na tela, mas eu chamo isso de má programação. De pontos positivos temos os gráficos que ficaram caprichados, tão sombrios ou mais que os Castlevanias ofertados no NES. Outra questão é a evolução do personagem que no lugar de armas, faz uso de bolas de fogo, magias poderosas gradativamente conquistadas e relíquias sobrenaturais capazes de expandir seus poderes (um te transforma num dragão!).

O lado mórbido é a dificuldade fortalecida pela má programação. O continue pode ser infinito porém dada a extensão das fases isso não diminui a frustração ao voltar desde o principio de uma zona. O pior é que o jogo não demonstra dificuldade intencional, fica visível a incompetência da Irem manter um coesão na partida,  apenas fez um jogo para gerar a típica frustração e o consumidor desgramado esquecer a fita num canto em busca de outra decepção como era praxe na biblioteca do NES.


Os poderes mágicos, ganhos na partida e a capacidade de atirar para cima além do tiro frontal não dão conta dos inimigos pululantes renascendo sem parar na tela, nem usando a manha de apertar rápido ritmicamente dá certo nas fases mais avançadas. A mana acaba muito rápido e no final terá apenas os limitados tiros básicos. Você não precisa apenas decorar a aparição dos inimigos mas estar preparado para as rajadas de tiros mais rápidos que você, o enxame de monstros ou padrões que excedem a capacidade limitada do mago sempre de resposta demorada aos comandos realizados no controle.

Esse desnível apenas fica mais óbvio a cada fase, cheguei apenas no quarto chefe onde um singelo tiro te joga pra fora das plataformas e assim uma vida é perdida. Não antes de enfrentar uns três golens com dois padrões de tiro com um deles impossível de repelir enquanto várias bolas de fogo aleatórias aparecem exigindo por exemplo magia de congelamento.


Taí o típico exemplo de como os jogos do Nintendo tinham potencial mas as suas limitações e bugs comprometiam tudo. Acho engraçado engrandecerem tanto um aparelho apresentando erros do tipo em quase 60% (sendo bonzinho) do seu acervo. A mesma patota que adora debochar de falhas encontradas nos jogos 3D, ainda mais que para provocá-las muitas vezes precisa "forçar o cenário". Essa galera que compra vários desses cartuchos e mal joga. Uns somente tiram da prateleira quando fazem algum vídeo enaltecendo a própria coleção.

Mostram as primeiras fases e falam: Uau, esse jogo é difícil, tem que treiná bastante!
 Não, ô seu animal retardado mental, é má programação mesmo! Por que então não zera uma vez na vida essa porra? Só deixam na estante ou então na fullset do emulador. Depois ficam esculhambando jogos ou sistemas melhores. Nostalgia é essa merda daí. E um cartucho defeituoso desses é cobrado às cegas. E qual é o motivo? Esse ufanismo exagerado na hora de comprar. O vendedor boco moco por mais que argumentasse a "raridade" (todos os cartuchos são, né?) se o comprador demonstrasse frieza e pagasse pelo valor justo os filhos da puta não lhe roubariam tanto. Mas tem que ficar embasbacado por ter o suposto Dio e Ozzy na fita. Merecem mesmo ter o cartão de crédito estourado e seu acervo jogado no lixão pela viúva ou pelo filho herdeiro já de saco cheio com os devaneios do pai. Que raiva bicho, dá vontade de jogar o controle na parede, PUTAQUIPARIU!PUTAQUIPARIU!

A Sharon deve ter macumbado esse jogo pro Dio ter baixa na carreira solo durante os anos 90, sair da jogada após Dehumanizer e ainda morrer naquela época da banda Heaven & Hell.


8 comentários:

  1. parece bem interessante e os poderes são bem legais.

    pelo que vi ele pode até se transformar em um dragão e também congelar rios.

    A dificuldade em retornar ao começo da fase pode ser contornada com ajuda do emulador já que o defeito na programação o tornou um jogo de dificuldade excessiva.

    abç!

    p.s.: lembrei de Bastard!! que é outra franquia japa que também colhe elementos do metal para se enriquecer.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bastard!! tinha potencial se não ficasse muito no ecchi, ainda sim a galera deveria conhecer. Sim, o Randy congela rios de lava, magia essa que paralisa criaturas mais fracas, vira dragão após matar um golem e outras variações de tiro. Mas nem quero usar recurso de emulador. Um dia quem sabe treino a ponto de usar as fraquezas de programação a meu favor e zero.

      Excluir
  2. Nunca joguei esse jogo, mas as referências do metal parecem ser bem legais.
    Uma pena a má programação prejudicar a jogabilidade, e isso que você citou é verdade, tem muito jogo por aí que todo mundo acha difícil, mas é só mal programado mesmo.
    Excelente postagem.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tem jogos que quando portados ou pertencentes a um outro sistema fica claro que o maior problema foi a limitação de hardware/má programação. Esse jogo pode ter sido planejado preguiçosamente, uma vez que seria melhor corrigirem certas incoerências, mas deixaram ali porque era praxe. Daí vem nego defender, ainda mais um que nunca foi longe em Holy Diver. Mesmo os que terminam esse tipo de game fica claro que usou as próprias falhas do jogo decorando hitboxes e todas essas minúcias técnicas.

      Excluir
  3. Essa capa do captain com a do jogo é muito parecida, as cores e estilo. Fora as outras semelhanças, os caras fizeram um port das bandas para o famicom.
    Se o programador não tinha confiança ou não sabia mexer na física do jogo, ele poderia ter feito algo menos ambicioso. Copiar os estilos de MM e Castlevania é tenso kkkkkkkk essa diferença de dificuldade real e jogo mal programado é de doer mesmo.
    Valeu Doc!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Você nota ambição no projeto, mas ficou apenas na promessa. Uma pena, talvez fosse um dos jogos mais memoráveis abordando o tema heavy metal.

      Excluir
  4. orra, esse jogo tem uma puta temática fodida, várias referências e peca em controles e design? Que droga! Esse tinha tudo pra ser um dos melhores jogos do NES! haha
    Pena que cagaram na execução. Parece um monte de sistemas (e jogos) que existem por aí! huahuahuahuauhahua
    Excelente review, Doc! Mas vou passar longe do jogo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Hoje temos uns jogos resgatando o estilo medieval macabro de Holy Diver, mas nunca com essa temática heavy metal. Brutal Legends é mais burocrático do que porradaria franca.

      Excluir