quarta-feira, 5 de abril de 2017

Mutant League Hockey



Quando fui bisbilhotar por jogos de gêneros que eu não curto tanto, leia-se jogos esportivos (talvez muitos dos leitores entrem neste balaio) achei um que vale a pena, misturando bagaceira sob um pretexto competitivo. Mutant League foi uma das várias crias no apogeu inventivo (ou amealhador de pequenos estúdios) da EA, uma das empresas que sustentou as vendas do Mega Drive (pelo menos na 'murica'). Esta série rendeu dois títulos para o aparelho 16 bits da Sega sendo a contraparte porraloca das clássicas franquias desportivas da Electronic Arts


Ambas ocorrem num cataclismo nuclear responsável pela mutação desenfreada dos humanos, foi a gênese de diversas raças atuantes no campo. Elas variam nos arquétipos de super humanos, alienígenas, caveiras, orcs e robôs. Em questão de andamento\interface tudo rola nos conformes desse tipo de jogo. O atrativo está nas possíveis porradarias, desmembramentos e armadilhas presentes nas arenas. Tentei jogar este, mas por não entender bulhufas do esporte, joguei o suficiente para presenciar os momentos de estripamento, agora o jogo seguinte, base da resenha de hoje é que me interessou. Nunca pensei que um jogo de hóquei fosse tão foda de ser jogado, acho um barato esses esportes anglo saxões pois sempre usam algum porrete ou partem pra surra, mas isso não era fator necessário pra ficar vidrado nessas competições. Neste segundo título acho mais adaptativo e engraçado que o outro. 


Mutant League Hockey é adaptado do NHL '94 da EA, pecando segundo alguns na lentidão extra e controle mais cagado. Isso pros puristas, pra minha proposta de querer um jogo esportivo porraloca caiu como uma luva. Aqui limaram as raças de super humanos e os alienígenas do jogo, possuindo somente 3 no total, isso pode enjoar um pouco quem for jogar, contudo, a dinâmica salva essas imperfeições. 


Depois da tela inicial, somos jogados num quadro contendo os times a escolha, todos eles parodiando times do circuito NHL, modos de amistoso ou torneio mata-mata,  a resistência dos jogadores e o password obtido nos campeonatos. Botão A é porrada, B seria passe e o C se não me engano faz jogadas mais abruptas. Com esses três botões e combinando o direcional é possível a realização de mais movimentos bem intuitivos. O campo possui eventuais fossos criando efeito de ver os personagens afundados sob a arena de gelo, fogaréu pra não dizer as motosserras, molotovs e marretas dispersadas ali para uso de qualquer um.


O maneiro nem é jogar da maneira tradicional, mas partir pra matança, ela acontece usando as armas ou dando golpe nos demais jogadores até na posse do disco lidera aquele que derrubar primeiro o outro. Há também mano a mano num sistema de luta um pouco empedrado, lembra aquele velho brinquedo dos boxeadores que subiam a cabeça. Se ficar preso na parede perde a vantagem. É possível ganhar somente matando os adversários todos e assim o juiz (dá pra matar o juiz também) considera o número de jogadores insuficiente para continuarem.  

A série tentou resistir através de quadrinhos, um abortado jogo de basquete e o desenho animado passado aos sábados no SBT, motivo de ter me chamado atenção quando vi o título. Apesar do desenho ser baratesco ele possuía coisas bastante ousadas, citando os desmembramentos habituais, câmaras de regeneração e certa dose de pancadaria, na animação os mutantes disputavam toda a sorte de esportes, porém o enfoque ficava no futebol americano. Vejam o desenho:


Os principais cabeças da série seriam o programador Glyn Anderson, na época atuante em vários tipos de plataformas dos anos 80 e Michael Mendheim da série Army Men, o resto foram atuantes nos jogos Barman pra DOS e na série PGA Tour. Recentemente Mendheim tentou relançar um novo jogo pelo Kickstarter tentando alcançar a meta dos 700 mil. Em entrevista, Mendheim alega sobre a descrença dos produtores para bancarem o título nesse tempo inteiro e o tédio por não ter mais nenhum jogo de futebol americano inovador. Apesar deste ser voltado pro gore, ainda teria seu centro nervoso no estilo - um possível resgate do gênero. 

O jogo não seria tão tosco quanto os seus predecessores, possuidor de maiores modalidades, interface e mecânica novas, maior gama de raças monstruosas e sanguinolência cavalar. Infelizmente, o cara arrecadou somente 120 mil, talvez pelo gráfico 2D e ser limitado aos celulares. Recentemente ele divulgou a demo de um jogo refeito com gráficos 3D, bem mais atrativo, porque eu vou te falar, o primeiro projeto era bem caído, confiram só o de agora:


No mais, este é um ótimo jogo de esporte fundindo alta dose de violência, isso prova que os jogos do MD eram mais interessantes e menos capados em comparação ao saído nas plataformas Nintendo. Jogos muitas vezes feitos por japoneses mas imaginados para audiência americana, quando não eram estúdios ocidentais assumindo as coisas e apresentando jogos cheios de futurismo distópico regado a humor ácido. OBS: Fiz uma partida dele na Twitch.Tv

4 comentários:

  1. Jogos de esporte você acertou no meu caso Doc, eu não curto muito, salvo alguns mais arcades de futebol onde os reflexos e a correria prevalece sobre a “real técnica” de dar passes etc. Quando o jogo parte para a zueira pode até ficar melhor já que um legítimo hockey ou football dificilmente eu jogaria. Sobre o brinquedo que você cita seria aquele dos anos 80, lego lego ou leco leco, algo assim?
    O kickstarter o famoso esmolômetro deve tá ficando mais maduro, o pessoal não contribui com a mesma facilidade, apesar que se tiver alguém famoso na empreitada esse argumento cai por terra eu acho. Sei lá, ficar fazendo projeto de jogo em 2D e pedir quase um milhão de dólares eu acho meio forçado. Mas quando sai um bom jogo é sempre bom comemorar. Pelas entrevistas e vídeos que andei vendo a EA na época dos 16 bits sempre me pareceu meio arrogante, tipo eles eram os “artistas do digital” e não faziam joguinhos. Essa era a imagem deles. Tanto que demoraram um século para fazer jogos pra Nintendo porque o console não estava no nível deles, apenas PC. Claro que o Mega Drive já é outra história. Gostei do post mas este jogo eu passo, esporte é complicado eu jogar. Exceto algum futebol tipo arcade ou volei. Grande abraço Doc!

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  2. O brinquedo pelo que pude ver se chama Rock 'em Sock', e a EA tava numa montanha de ego, principalmente quando o Trip Hawkins acreditava que o 3DO seria a máquina do futuro. Eu também não curto jogo esportivo, tento achar graça, é bem monótono pra mim, no entanto esse jogo salva por poder zerá-lo apenas massacrando os demais competidores.

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  3. Eu lembro de ter alugado/jogado este jogo uma única vez na vida e minha experiência foi exatamente essa de sair socando todo mundo sem ligar muito pro que tava acontecendo esportivamente falando. Só não me lembrava que dava pra esmurrar o juiz também! huahuahuahuahua
    Não lembrava do desenho também, mas acho que é pq não gostava mesmo.
    Esse novo aí quase me interessou, pena que é futebol americano! rs
    Muito bom, saudades das porralouquices do Mega Drive, não vemos isso mais com frequência nos dias de hj, nego só quer inventar história pseudo-madura em jogos normalmente sem desafio algum. É a vida...

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    1. O mega drive tinha umas ideias pra jogos mais sem noção ou saindo dos trilhos. Acho que isso foi um dos determinantes para políticos oportunistas começarem a questionar a conduta dos jogos. Em Eternal Champions chegam a parodiar um político como personagem selecionável.

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