sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Jesus Christus Erlöser, 2008 - Peter Geyer



Klaus Kinski participou de muitas produções europeias menores, inclusive alguns faroestes que chamariam atenção do grande público pelo experimentalismo e ousadia. Nessa fase cito por exemplo Por uns Dólares a Mais (interpretando um mero capanga), Uma Bala para o General e O Grande Silêncio

A outra fase mais conhecida do ator é a da sua parceria com o diretor Werner Herzog, nutrindo uma relação de amor e ódio com o mesmo, com direito a Werner apontar uma arma para Kinski na locação situada no meio da selva amazônica. Dessa dupla vale quase tudo, o remake do Nosferatu, Aguirre, Fitzcarraldo e Cobra Verde. Outra pérola esquizofrênica seria o filme "biográfico" sobre o violinista Niccolò Paganini projeto totalmente impulsionado pelo ator e sem ajuda de Werner que considerava o roteiro um fiasco, talvez a ruptura final entre os dois. 

A figura de Kinski talvez soe mais interessante fora dos bastidores do que atuando. Apesar de sempre mencionarem a sua forte presença e ímpeto em seus papéis o outro lado da balança seria a sua personalidade explosiva. Não foram poucos os artistas que conflitaram com ele e seu jeito dominador de agir nas gravações. 


Gostava de nutrir sua postura polêmica, principalmente falar dos seus desejos sexuais, a ponto de ficar até hoje a discussão de ter abusado sexualmente ou não das suas filhas e de tomar processo de uma delas por escrever coisas na sua autobiografia, inclusive guardando espaço para espinafrar Werner Herzog

Se eu citasse um mero filme estrelando o cara, talvez ficasse despercebido o seu lado mais caótico. Por isso mesmo vou falar sobre um documentário que reúne sua fase nos teatros, ainda no começo dos anos 70. Nesta produção, Kinski reinterpreta Jesus de Nazaré, tentando readequá-lo para a contracultura da época, readaptando cristo para alguém perseguido pelas autoridades contemporâneas e solícito a levar seus ensinamentos para os grupos marginalizados da sociedade. 

O olhar penetrante e diálogos raivosos criam um ambiente de inquietação no público, que replica de longe seus dizeres, xingam-no com direito a intervenção no palco. Kinski simplesmente bate boca ou se aproveita das reclamações para replicar falas ditas por Jesus segundo a bíblia. A carga da apresentação é bem pirada, principalmente a ousadia e costumeiras intromissões da platéia. 




É uma boa assistirem os filmes citados assim como a fase dele com o prestigiado diretor alemão, completando com os documentários a respeito de suas vidas. O resto eu deixo por conta e risco, pois variam do interessante ao ruim. Fica aí o monólogo:





Um comentário:

  1. Caramba, não conhecia.

    Parece que teve uma vida bem intensa.


    Abc!

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