quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Shiwase Usagi (Pentalogia)


 O PC Engine CD atraía consumidores cuspindo na tela animações cabulosas, trilhas sonoras com instrumentos originais sem precisar sintetizá-las no chip, incluindo diálogos na íntegra. Em contrapartida, isso era um poderoso chamariz para reapresentar boa parte dos jogos que eram simples demais ou arcaicos para o período (a primeira geração de rpgs e seus derivados, fliperamas b, não esquecendo os adventures de tela). Para a minha surpresa, duas empresas chamadas Rabbit Soft Kenkyūsho e Office Asia Kenkyūsho, publicaram cinco jogos pornôs em nome da desenvolvedora B-Project, explorando significantemente os recursos do aparelho num período entre 95 à 97, fim de carreira do sistema NEC, com fortes suspeitas de serem bootlegs

A Office Asia vendeu Shiwase Usagi 1 e 2. Os dois jogos eram mais pobretões, escancaravam mais a origem amadora. Ambos mostravam um menu com a opção de tocar, olhar, beijar e a última transcorrendo para a cena seguinte quando todas fossem usadas. Não influenciava em nada escolher ou deixar de escolher as opções uma segunda vez, são meras novelas visuais. As cenas são estáticas, deixaram a boceta das moças pixeladas, as picas invisíveis, parecendo que elas estão sendo comidas por um fantasma. Os caras que metem a vara nelas mantém-se nas sombras até na hora de beijá-las na boca. Eu não sei se isso foi um recurso para gerar  a sensação do jogador se sentir na pele do personagem ao mesmo tempo que censuram o explícito. 


Segundo a Moby Game, o primeiro conta sobre um vagal do segundo grau chamado Takita Hiroki, ele aproveita a ausência dos pais, chamando a sua namorada para uma trepada. O 2 de subtítulo "Sailor Z" é o mais perturbador. Assumimos o papel de um estuprador (sempre nas sombras) que sequestra uma jaçanã e come ela de todo o jeito, o final é a garota com a venda tirada de olhos semicerrados. Os programadores se empenharam em por uma trilha sonora acima da média para o padrão chegando ao ponto de incluírem vozes digitalizadas das garotas gemendo, dizendo frases curtas, ofegando, chupando... Na tela inicial fica disponível uma paródia hentai tenebrosa da Sailor Moon, mudam apenas as cores das personagens, tem até tentarape


Shinsetsu Shiawase Usagi foi dispersado pela Rabbit Soft num total de três aventuras. Nota-se um empenho maior nas animações e a inclusão de finais diferentes, o término ruim, comum e o ótimo. Os dois primeiros exploram a relação de duas colegiais, a de cabelo rosa chama-se Mary e a moderninha perva  de cabelo verde tem o nome de Yuki. Mary tropeça nas escadas da escola, sendo levada por Yuki até a enfermaria deixando Mary apenas de calcinha. Ali a putaria rola solta. No meio da briga entre aranhas aparece um cara misterioso que entra pra festa. Aqui a história desdobra-se por certas escolhas importantes no final. 


O final ruim por exemplo seria a Yuki dando pro cara no lugar de pedir pra Mary uma menáge. O término comum seria o cara comendo Mary muito rápido, e o happy end com o trio esticando mais o sexo. Basta marcar as últimas opções pra chegar no melhor final. O segundo talvez seja o ápice. Yuki vira assistente da professora e convida Mary para o seu apartamento estando ali também o mesmo cara misterioso. Yuki se concentra de vez no sadomasoquismo. Desta vez o objetivo é alcançar o orgasmo máximo de Mary, usando na ordem certa os "brinquedos". Podemos escolher o chicote, vela, vibrador e um pincel. 


Por fim,Shinsetsu Shiawase Usagi F: Yūjō yori mo Aiyoku o último jogo plagiando os personagens de Evangelion na cara dura. Mudam apenas as suas cores, até os nomes permanecem iguais. Saiu um ano após o clássico que tornou os animes coisa de emo. A versão pornô pelo menos deu dignidade a uma franquia tão tosca. Shinji virou um quarentão decadente feito o seu pai, morando num quitinete. Depois de bronhar pra um filme pornô, o cara pensa se vai ligar pra uma puta ou trepar com a Misato ou Asuka. Asuka pinta no cafofo dele e dá pra ele de todo o jeito, enquanto Misato seria sua amante. O jogo aqui é mais punitivo, quer dizer, pro roteiro. É fácil tirar o final regular ou feliz com a Asuka, já com a Misato, o desdobramento é maior. Asuka no jogo mata passionalmente Shinji, em N circunstâncias, mesmo numa hora em que Misato convida Asuka para um sexo à três.  



Foi uma surpresa achar cinco jogos de sexo selvagem para um sistema de videogame (a censura é maior), em boa qualidade e sem aqueles labirintos textuais muitas vezes brecando a possibilidade de ver o "momento finale". O jogo é direto ao ponto, na pior das hipóteses, assiste a menos coisas ofertadas nas surubas. Uma trilha que atravessa o pop sintetizado dignos do catálogo cine privê, blues, hard rock e bossa nova. Não é aconselhado para menores, nem pessoas comuns, é degenerado demais. Os jogos foram avaliados unicamente para analisar a mente sórdida de boa parte dos japoneses confirmando a teoria de receberem influência de entidades hiperdimensionais que abusam de seus cérebros por tentáculos místicos, incentivando a degradação humana. Selo Kinjite, Desejos Proibidos!


Selo:


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Bazaru Degozaru no Game Degozaru




Que merda de batalha do apocalipse pra eu conseguir rodar o PC Engine CD nessas novas edições do Windows! Por isso também fiquei puto da cara em buscar obscuridades nesses sistemas afundados nas dimensões alternativas. O suporte  para os emuladores minguou! Agradeço o Ulisses 8 Bits pela indicação e tutorial do multi-emulador Retroarch, a única ressalva é o tempo levado para aprender sua interface pouco intuitiva pensada para astronautas. Deixarei aqui o link pra quem quiser umas nojeiras difíceis de rodarem individualmente. [Tutorial].

Este puzzle insólito saiu em 1996 e foi desenvolvido pela Game Freak nos tempos finais do PC Engine quando ela estava prestes a se tornar mucama oficial da Nintendo e sua eterna produção de jogos "Poker do Mao". A etimologia do game deriva da palavra bazar, pois o objetivo é comprar coisas em lojas. "De gozaru" é uma variante arcaica do verbo ser/estar "desu", usado aqui para imitar o guincho do macaco ao pronunciar na mesma entonação do animal (Eles gostam de enfatizar o nome, cantando em coral ou falando rápido, pra controlarem a sua mente). 


Devemos fazer um macaco atravessar 8 mundos constituídos de 10 rodadas cada. Todas as rodadas possuem uma linha de chegada. Os referidos trechos possuem bananas avulsas, cachos para reabastecer o tempo limite além das sacas de dinheiro nos valores 1 e 10 de grana. A bufunfa serve para comprar produtos sob diversos preços nas lojas disponibilizadas assim que um cenário for fechado. As tralhas vão aparecendo na cabana do macaco. A única maneira de zerar Bazaru é comprar pelo menos um item singelo de todas as lojas, por isso é importante pensar no recolhimento do dinheiro. 

Nas fases você deve pensar na ordem certa de movimentos para o macaco alcançar não somente a placa de chegada, mas  num jeito de recolher o dinheiro, requerendo maior sagacidade. As bananas recuperam tempo, dependendo da sequência ou simplesmente quando sua jogada compromete o progresso do macaco, você perderá por romper o tempo limite. Inicialmente você escolherá apenas um singelo movimento, com o tempo outros mais serão pedidos (além de disponibilizados). Nem sempre será necessário completar os espaços que chegarão ao limite de quatro. Terá ocasiões que a sequência visa uma espécie de loop para ser empregado ao longo dos trajetos mais demorados.


Vale lembrar sobre as ações serem acionadas assim que o macaco pisar no chão amarelo. A combinação de movimentos influencia nos movimentos do macaco, duas andadas por exemplo farão o bicho correr ou combinando giro e pulo, o impulso será levemente alterado acrescentando fator "dano" nos oponentes. Os estágios apresentam suas arapucas exclusivas que vão de animais à molas, carrinhos e outros discriminantes. No mapa principal você tem a opção de informação sobre os comandos, as lojas, os mundos e a própria casa do macaco.

Antes de começar a fase, será possível analisá-la por uma câmera (você pode ver a qualquer momento o cenário, mesmo escolhendo ações), depois apertando um dos botões ele permitirá quatro opções em vermelho logo abaixo do catálogo de movimentação. A primeira apaga as opções selecionadas, a segunda é um close up, a terceira te leva pro mapa e a quarta seleciona uma opção ou inicia a partida. Há ainda uma quinta, apertando start mais o botão de confirmação para reiniciar o desafio. O próprio desenrolar do jogo pode ser visto de maneira normal ou lenta. Quando passar o round, a sequência ficará registrada.


Bazaru Degozaru no Game Degozaru apresenta um desafio justo, certo replay pra quem quiser coletar todo o dinheiro e comprar todas as coisas. O que pode romper seu desafio é a combinatória de ações possíveis. Por mais que o mistério sobre determinada sequência exista, o jogador conseguirá combinar algo inusitado para vencer o desafio. Outra coisa é que existe mais de uma possibilidade para atravessar o lugar. Pode ser menos completa ou turva, mas o jogador consegue. Quebra-cabeças muito bem acabado e programado, mostra que a Game Freak tinha sua identidade e capricho no que lançava sem ser apenas Pokémon. É uma obscuridade dentro de outra obscuridade que é o PCECD

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Jesus Christus Erlöser, 2008 - Peter Geyer



Klaus Kinski participou de muitas produções europeias menores, inclusive alguns faroestes que chamariam atenção do grande público pelo experimentalismo e ousadia. Nessa fase cito por exemplo Por uns Dólares a Mais (interpretando um mero capanga), Uma Bala para o General e O Grande Silêncio

A outra fase mais conhecida do ator é a da sua parceria com o diretor Werner Herzog, nutrindo uma relação de amor e ódio com o mesmo, com direito a Werner apontar uma arma para Kinski na locação situada no meio da selva amazônica. Dessa dupla vale quase tudo, o remake do Nosferatu, Aguirre, Fitzcarraldo e Cobra Verde. Outra pérola esquizofrênica seria o filme "biográfico" sobre o violinista Niccolò Paganini projeto totalmente impulsionado pelo ator e sem ajuda de Werner que considerava o roteiro um fiasco, talvez a ruptura final entre os dois. 

A figura de Kinski talvez soe mais interessante fora dos bastidores do que atuando. Apesar de sempre mencionarem a sua forte presença e ímpeto em seus papéis o outro lado da balança seria a sua personalidade explosiva. Não foram poucos os artistas que conflitaram com ele e seu jeito dominador de agir nas gravações. 


Gostava de nutrir sua postura polêmica, principalmente falar dos seus desejos sexuais, a ponto de ficar até hoje a discussão de ter abusado sexualmente ou não das suas filhas e de tomar processo de uma delas por escrever coisas na sua autobiografia, inclusive guardando espaço para espinafrar Werner Herzog

Se eu citasse um mero filme estrelando o cara, talvez ficasse despercebido o seu lado mais caótico. Por isso mesmo vou falar sobre um documentário que reúne sua fase nos teatros, ainda no começo dos anos 70. Nesta produção, Kinski reinterpreta Jesus de Nazaré, tentando readequá-lo para a contracultura da época, readaptando cristo para alguém perseguido pelas autoridades contemporâneas e solícito a levar seus ensinamentos para os grupos marginalizados da sociedade. 

O olhar penetrante e diálogos raivosos criam um ambiente de inquietação no público, que replica de longe seus dizeres, xingam-no com direito a intervenção no palco. Kinski simplesmente bate boca ou se aproveita das reclamações para replicar falas ditas por Jesus segundo a bíblia. A carga da apresentação é bem pirada, principalmente a ousadia e costumeiras intromissões da platéia. 




É uma boa assistirem os filmes citados assim como a fase dele com o prestigiado diretor alemão, completando com os documentários a respeito de suas vidas. O resto eu deixo por conta e risco, pois variam do interessante ao ruim. Fica aí o monólogo:





quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Mannaja - Um Homem Chamado Blade, 1977, Sergio Martino



Nessa lista de filmes cucamongos faltou citar algum faroeste, ou melhor um da terra da bota. Lá reinventaram o gênero prestes a caducar, inclusive dando ânimo para diretores mais ousadas nos EUA. Ao invés de citar clássicos dos Sergios Leone e Corbucci, trago este produzido no fôlego final do subgênero spaghetti, estrelando Maurizio Merli, astro italiano de ação, protagonista de muitos filmes policiais. 

O filme carrega fortes signos do estilo: o herói calado entrando numa cidade lamacenta dominada por algum coronel fanático (Django), passando flashes do seu passado trágico com direito a uma melodia de gaita angustiante (Era Uma Vez no Oeste). O diferencial, contudo, é usar esta fórmula para reapresentar uma história bem intrigante em comparação a copias mais escrachadas,  cheia de críticas sociais e cenas mais violentas. 


Tudo começa quando um foragido tem sua mão decepada por uma machadinha e é capturado por um caçador de recompensas conhecido como Mannaja/Blade (Maurizio Merli). Este leva o capturado para a cidade mais próxima para ter sua recompensa de 5 mil dólares. Na localidade não existe qualquer autoridade se não McGowen, dono do garimpo de prata explorando seus funcionários até que morram doentes. Ele também estabelece regras repressoras cortando a bebida e dançarinas de cabaré, somente o jogo é permitido no saloon. Essa moral cai por terra quando Mannaja observa que apesar de todo esse virtuosismo, os jogadores não deixam de trapacearem. 

Mannaja já arruma encrenca tentando ganhar o dinheiro burlando a trapaça feita por Valler,  braço direito do coronel, como resultado troca tiros contra seus comparsas de quebra usando seu machado contra os cachorros dele. O caçador de recompensas já vai na casa de McGowen tentando fazer uma proposta de defender seus lucros dos constantes saques feitos pelos criminosos da região, o problema comprometeu seriamente os seus lucros, afinal não é possível pagar a taxa da União e eles também miguelam soldados necessários para combater o problema. Ao mesmo tempo que Mannaja propõe o acordo, um flashback rápido gera o clima de ressentimento. McGowen o manda catar coquinho, Mannaja troca porrada contra Valler e trupe no meio da rua cheia de lama, para mais adiante ser vítima de uma avalanche de pedras dinamitadas pelo mesmo. 


Na segunda parte Valler tenta caçar Mannaja que se refugia na caravana de um cafetão que realiza shows de cabaré itinerante com suas garotas. O mocinho se apaixona por aquela que teria insistido em salvá-lo. Retornam para a cidade e dois problemas acontecem: A filha do coronel que teria sido mandada para aprender boas maneiras em Nova Orleãs é raptada e o próprio pune o show de cabaré na cidade com direito a chibatada em todas pela "indecência". Mais uma vez Mannaja enfrenta os candangos de McGowen e a partir daí eu deixo para você a missão de assistir. 

O clima é bem desolado, investiram um pouco mais na violência, na sujeira e num herói mais original na forma de atacar, valendo-se sempre dos tradicionais revólveres mas não deixando de lado suas machadinhas. O criticismo sobre a falsa moralidade acobertando a desonestidade e como o progresso distorcido pode significar  degradação moral e física para quem vive sob o seu domínio torna a produção um pouco acima dos seus congêneres mais baratescos. Uma coisa é certa, todos os personagens sofrem um puxão de tapete, não há ganhadores. A trilha sonora é bem densa, um som caipira desarranjado, gera um clima fechado. 



Pra quem já viu boa parte dos bangue bangues à italiana vai gostar de ver este da fornada final do segmento, concentrado de críticas, violência e um personagem mais original atacando com machado e revólver. Deixo abaixo o filme dublado para que você não precise viajar até o México para achar o DVD. 




sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Capitão Falcão, 2015, João Leitão



Uma divertida comédia explorando o período ditatorial de António de Oliveira Salazar, tema considerado ainda tabu na história de Portugal. Capitão Falcão seria um super herói fascista com o dever de sufocar qualquer grupo que comprometesse o governo de Salazar, feito a polícia de Getúlio Vargas no Brasil. O diretor João Leitão quis fazer um herói ultra patriota idiota, tripudiando das bravatas nacionalistas daquele regime, lembrando o personagem Stan de American Dad!, idólatra do presidente, preconceituoso, fazendo de sua família mera cenografia para a sua fantasia patriótica. A comédia mistura o estilo nonsence de Monty Python  somando momentos de silêncio constrangedor enquanto parodia o seriado baitola do Batmá e do Besouro Verde.


Num ar de quadrinhos, a história conta sobre a necessidade de Salazar (José Pinto) ter a disposição uma divisão que atuasse sob a moita contra qualquer opositor do seu Estado Novo (inclusive adeptos da democracia). Para isso, o Capitão Gaivota recruta 6 soldados exemplares, mas um deles detona subitamente os outros 5, cegando o principal deles também. Este viria a se tornar o Capitão Falcão (Gonçalo Waddington), tendo ao seu lado o assistente Puto Perdiz (David Chan Cordeiro), o asiático porradeiro, mestre dos disfarces que nunca diz palavra alguma. Depois caminhamos para os tempos finais do governo Salazar em 1968. Inicialmente o seu medo é combater os opositores comunistas que podem por fim a "estabilidade" lusitana. Nessa primeira parte, Falcão enfrenta inimigos comunistas naquela visão paranoica macartista, surgindo proletários de macacão, barba, usando foice e martelo como armas, ou sua forma mais perigosa, os "comuninjas".


Há momentos hilários tipo ele se infiltrando num bar cheio de comunistas enfrentando feministas e um mago soviético. Noutro, Falcão repreende o filho sem se importar com o ninja comuna rendendo sua mulher ou o herói procurando um historiador explicando que os gradativos líderes vermelhos foram diminuindo a barba a ponto de ficarem irreconhecíveis. Tiram sarro inclusive das táticas de tortura usadas naquele tempo, aqui uma de dar pães doces e logo depois berrar ameaças.


Na segunda parte Falcão é emboscado pelos mesmos soldados do inicio da trama, os Capitães de Abril. Cada um representa uma cor tipo os Power Rangers, com direito a típica piada do Black ser o cara negro. Depois disso é explicado que os tais aspiras se encheram de ódio pela humilhação e quiseram sua vingança nem que fosse necessário se unir aos comunistas. Falcão através de um raio vira um barbudo subversivo e acaba indo pra cadeia. Essa parte rende outras piadas de rachar o bico: Uma é dando instruções ao filho na cadeia para pegar uma arma guardada na gaveta e atirar primeiro na mãe e depois no cara que "usurpasse' seu posto de chefe familiar. Uma segunda seria Falcão na cadeia intimidado com os presos gays aparecendo em momentos chave.

As piadas mesclam-se com os momentos de luta seguindo a premissa dos seriados antigos citados. Algumas são bem ridículas, outras mostram uma coreografia mais bem planejada, geralmente as cenas do Puto Perdiz. O filme guarda um monte de frases impagáveis: "Este é o problema dos comunistas, Puto Perdiz! Apoiam-se na força numérica mas depois quem sofre  é o individuo!", "O cérebro gentil e primitivo de uma mulher jamais aprenderia algo como auto defesa" esta quando Perdiz se disfarça como a esposa do herói.


Esse filme segundo consta, teria sido apresentado (ou parte dele) numa minissérie de 3 partes num canal português, bem depois parou nas telonas. Deve ter rendido o burburinho costumeiro quando algo contestador vem a baila, basta ver a questão do Brasil raramente falar sobre a ditadura militar.  Uma comédia controversa que tem sua importância ampliada por abordar o regime conturbado português mesmo que seja de modo escrachado. É aquilo, toda piada tem a sua pitada de verdade. A paranoia comunista mesmo hoje, perturba a mente de alguns, basta ver uns sequelados com medo que aconteça uma guerra civil no país. O link para assistí-lo eu encontrei apenas neste site, neste caso, aproveitem!

http://hdfilmesonlinegratis.net/capitao-falcao-dublado-online/


OBS: Tem uma cena pós crédito pra parodiar os filmes da Marvel. Mostra uma espécie de homem-flamingo rindo nas sombras.

Russian Roulette



A roleta russa, o jogo mais famoso entre os millennials, ganha um homebrew para ser gambiarrado no emulador, usado dentro de um flashcard ou se quiser pode rodá-lo direto no seu PC. O design é inspirado no visual simplista da primeira leva de jogos eletrônicos para o NES, usando ideias (inclusive fotos digitalizadas) do filme  O Caçador de Veados O Franco-Atirador, que tinha no elenco Christopher Walken e Robert De Niro, dois prisioneiros de guerra no Vietnã obrigados a participar do maldito joguete com os "charlies". Enquanto De Niro tem sua vida de volta, Walken já perturbado da cachola, faz carreira participando de disputas nas rodas ilegais em "Nam". Assistam! O filme é bom pra caralho, conseguiu apresentar uma nova proposta dentro dos trocentos filmes ambientados nessa guerra. 


Voltando ao jogo, ele é totalmente baseado na sorte. Falam que dá pra usar a pistola Zapper, testa ela se tiver e nos revele como é ter a vida na palma da mão. Seu controle é mínimo. Aperte o gatilho e vá acumulando pontos até um vietcongue morrer passando para o próximo desafiante enquanto toca uma musiquinha russa clichê para reforçar o nome do título. O jogo permite mudar os avatares, tem o modo A havendo uma bala no tambor e o B, três. As duas opções são ofertadas para o multiplayer. Rolou uma atualização animando melhor os sprites, corrigindo erros, tipo um onde a bala não saía da arma, gravação de pontuação etc.. 


O jogo vocês podem baixar do Romhacking ou no próprio canal do idealizador James C. Fiquem aí com o filme dublado:


Extra: Super Russian Roulette é um outro jogo de roleta russa usando a Zapper com temática de faroeste apesar de mais bonachão:


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Straight Outta Compton: A História do N.W.A., 2015, F. Gary Gray



 A cinebiografia comemorando os quase 30 anos do grupo de rap N.W.A. (Niggas Wit Attitudes), principal difusor do subgênero gangsta passou meio batida nos meios de comunicação tirando alguns sites focados na indústria musical como a Rolling Stone. Tinha me esquecido da adaptação quando pelo acaso vi um trailer e fui lá bisbilhotar o filme. A produção sofreu diversas lengas lengas até a sua conclusão e mesmo com todos os problemas superados, com boa aceitação do público e crítica, o filme sofreu um trato indolente no Oscar, isso desencadeou as velhas discussões sobre Hollywood ser preconceituosa e o escambau.

Antes de mais nada o filme omite muitas coisas e deturpa certos elementos para poder fluir a trama mais focada na trajetória da banda do que o drama individual de cada integrante, contudo dá pra explicar como desencadeou a segunda geração do gênero, de quebra o semi apartheid ocorrente nas violentas ruas de Compton, seja as guerras de gangue ou a atuação abusiva da polícia, combustível suficiente para os envolvidos retratarem a sua vizinhança sanguinolenta.



O filme foca-se mais em Eazy-E, Dr. Dre e Ice Cube, deixando DJ Yella e MC Ren como lanterninhas, este último muito insatisfeito com as licenças do diretor. A principal  controvérsia foi a ausência do produtor Arabian Prince, que saiu um pouco antes do disco debute Straight Outta Compton, no filme rola um singelo cameo. No filme Eazy-E é apresentado como um traficante de segunda categoria que após escapar de uma boca de fumo onde rola uma investida policial, resolve ir para o negócio seguro da música por insistência de Dr. Dre, o encarregado das bases. Dre dentro do filme é um DJ determinado a ter renome na música não se importando tanto com os lucros enquanto precisa ter grana pra sustentar sua família, embora isso seja bem secundário. Os grandes momentos de Dre na película seria a morte do irmão vítima de uma briga e o envolvimento com o inescrupuloso produtor musical Suge Knight, de mero segurança a produtor tirano (inclusive causou confusão durante as filmagens).





Voltando ao principal integrante Eazy-E, seu desenvolvimento acontece com sua relação com o produtor judeu Jerry Heller, inicialmente confiante no potencial do grupo mas no futuro revelando sua desonestidade mesmo que em comparação ao Suge, ele seja um santo. Por último Ice Cube, mostrado como o cara das letras com direito a uma cena onde ele se inspira num bandido que vai tirar satisfação com um garoto que o provocara da janela do ônibus. Cube seria a primeira ruptura do N.W.A. segundo manda o filme (não na realidade como foi falado sobre o Arabian) por começar a questionar o tratamento privilegiado de Eazy enquanto o resto não tinha tantos agrados.


O grupo lança seu disco, mostra o ápice de uma apresentação onde terminam presos por não acatarem a carta do FBI sobre estarem incentivando o crime e descumprimento das leis, assim, ganham mais notoriedade, falando por exemplo na coletiva de imprensa que suas letras tidas como glorificação ao crime, culto as drogas e sexismo nada mais seria do que  a realidade das ruas. Depois disso o filme caminha para a típica decadência da banda. Cube sai, quebra uma gravadora morosa em atender suas necessidades e finalmente manda um rap detonando seus antigos companheiros. O grupo replica enquanto Suge Knight prepara a discórdia para tirar Dre do N.W.A. e usá-lo como a galinha dos ovos de ouro.


A parte final seria um Eazy-E combalido homeopaticamente pela AIDS enquanto tenta fazer as pazes com todos os integrantes e mais uma vez produzirem novas músicas sem qualquer empresário envolvido. Bom, spoiler isso nem chega a ser porque é história real bem fantasiada em alguns trechos. O filme omite certas coisas em prol da narrativa, tipo os abusos que o Dre cometia com a sua mulher, a omissão de alguns colaboradores e talvez o pioneirismo do gangsta, já que o Ice-T por exemplo já mexia com a temática.


O N.W.A. foi revolucionário, gerando diversas carreiras solo de sucesso, também renovaram o estilo seja pelas letras chamativas, a malandragem, incluindo a qualidade musical propiciada por Dre, Yella e associados. Conseguiram quebrar a datação encontrada na maioria das bases dos raps da época querendo somente trocados instantâneos. Com todas as liberdades adotadas pelo diretor, o filme mostra um claro exemplo do que acontece até hoje nos guetos norte americanos além de ser uma porta de entrada pra cultura do hip hop. Biografias e documentários dissecando a verdadeira história tem aos montes por aí. Indico o filme, os dois discos e os debutes solo de cada integrante consagrados no gênero. Fica aí o trailer e um clip pra quem quiser conhecer!